Violeta de Outono interpreta Syd Barrett

Data : 19/01/2009
Horário : 22:00
Venue : Na Mata Café
Cidade :

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Violeta de Outono interpreta Syd Barrett & The Pink Floyd no Na Mata Café em São Paulo - The Piper At The Gates of Dawn

Aproveitando a oportunidade do lançamento oficial do DVD Seventh Brings Return - A Tribute to Syd Barrett, previsto para Março através da Voiceprint na Inglaterra, o Violeta retoma este show especial agora em 2009. Abaixo o texto completo escrito pelo nosso amigo Sandro Garcia do Continental Combo.

NA MATA CAFÉ
Rua Da Mata 70 - Itaim Bibi
Sao Paulo

tel 3079 0300

Horario: 22:00 h
Ingresso: R$20,00

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RELEASE

O Violeta de Outono surgiu nos anos oitenta em meio a uma grande onda de rock brasileiro. Pela sua sonoridade que resgatava irretocavelmente a psicodelia dos anos sessenta em suas sensacionais composições, o Violeta foi se tornando uma cult band brasileira. Nos shows o grupo sempre inclui clássicos do rock psicodélico, e também canções do Pink Floyd (da fase Syd Barrett) que sempre foram pedidas pelos fãs que acompanham a banda.

Ao longo da sua trajetória o grupo passou a cogitar a idéia de realizar um tributo revisitando a obra de Syd Barrett. Foram então marcados vários shows durante o ano de 2006, com o Violeta de Outono tocando, entre vários clássicos, a viagem intergalática de 'Interstellar Overdrive', o mundo onírico de 'Matilda Mother' e 'Flaming', além das enigmáticas canções dos álbuns solo 'The Madcap Laughs' e 'Barrett'.

Syd Barrett foi o principal mentor do som espacial que o Pink Floyd produziu nos primeiros anos da sua carreira nos anos 60. Com Barrett a banda gravou alguns singles e também o álbum The Piper at the Gates of Down em 67, um clássico absoluto do psicodelismo inglês. Depois que deixou o Pink Floyd, ele ainda gravou dois discos solo ("The Madcap Laughs" e "Barrett"), posteriormente foi lançado "Opel" uma coletânea de sobras de estúdio.

Agora o selo inglês Voiceprint lança oficialmente em DVD uma das apresentações do Violeta de Outono prestando, de uma forma absolutamente competente e inspirada, sua homenagem à genialidade de Syd Barrett. A apresentação do DVD foi gravada em 17 de Julho de 2006 no SESI em São Paulo e coincidentemente durante a temporada de shows veio a noticia da morte de Syd, com isso, se deposita neste registro um valor histórico e emocional inigualável, tanto para os fãs do universo Barrettiano, quanto para os músicos do Violeta de Outono.

Em paralelo a este lançamento especial o Violeta de Outono retoma para 2009 esta apresentação tributo, mostrando um verdadeiro exercício de psicodelismo e também o quanto a obra de Syd permanece atual e influente.

O Violeta de Outono é formado por: Fabio Golfetti - guitarra e vocal, Gabriel Costa - baixo, Fernando Cardoso - piano, órgão e vocal & Claudio Souza - bateria

Sandro Garcia
São Paulo, Janeiro 2009

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SYD BARRETT & THE PINK FLOYD

Ao longo dos anos a maioria das bandas muda seu som. Mudanças na formação, amadurecimento e a mudança de condições sociais, todas combinam para modificar e desenvolver a música, porém, mesmo hoje é possível traçar ecos dos primeiros dias de, digamos, Fleetwood Mac, Zappa ou The Jefferson Starship. Há uma grande exceção nisso tudo... Pink Floyd. Eles se transformaram totalmente desde suas primeiras gravações e viraram um outro grupo. Isso apesar de apenas uma mudança na formação. Mas ela foi grande.

Como voz principal, guitarrista solo e líder nas composições, Syd Barrett dominava o Pink Floyd. Mesmo quando os outros membros apresentavam suas composições, elas tinham a mesma qualidade das dele. Mas sua direção mudou radicalmente quando ele saiu.

Barrett foi responsável por maior parte de “The Piper At The Gates of Dawn” (1967), mas saiu ou foi despedido no começo de 1968, após seu comportamento excêntrico ter dificultado sua relação com o resto da banda (ele aparece em algumas faixas do segundo disco, “A Saucerful Of Secrets”, 1968).

Tudo isso contrastava diretamente com a mistura que Syd fazia de R&B americano com a excentricidade inglesa, o que captou o espírito da época: filhos das flores, canções sobre gnomos, sinos e lindas meninas saltitando pela floresta. Syd até tirou o nome do primeiro álbum do grupo, “The Piper At The Gates Of Dawn” de um capítulo do romance infantil de Kenneth Graham, “Wind In The Willows”.

Syd também consumia drogas - e muitas - e isso lhe conferiu uma perspectiva diferente dos outros membros que, ao que parece, nunca tomaram LSD (embora fossem conhecidos como a maior banda de acid-rock da época). As primeiras letras surgiram de um experiência direta. “Scarecrow” evocava perfeitamente os arredores dos campos pantanosos perto de Cambridge. “See Emily Play” era uma típica canção sobre crianças e flores. Syd explicou como a escreveu: “Eu dormia na floresta, após um show que fizemos no norte, quando vi uma garotinha passando entre as árvores, gritando e cantando. Essa era Emily”. Ele a compôs especificamente para o primeiro concerto da banda, que se realizaria no Queen Elizabeth Hall, em Londres, no dia 12 de maio de 1967. Essa música foi tocada pela primeira vez com o nome de “Games For May” (Jogos de Maio), e só foi mudada mais tarde, para o disco.

Sua gravadora, EMI, ergueu enormes alto-falantes no fundo do teatro, a fim de reproduzir o primeiro sistema quadrifônico da Inglaterra, controlado por um antecessor do famoso 'azimuth co-ordinator', que alguém afanou após o show. O promotor de show da banda, vestido de almirante, atirou buquês de narcisos para a platéia, a sala se encheu de milhares de bolhas, luzes líquidas e projeções de filmes de 35mm. Foi um concerto bem sucedido, mas os donos do teatro não ficaram contentes. Quando foram fazer a limpeza após o primeiro concerto no teatro, eles viram que as bolhas deixaram marcas de círculos nos assentos de couro e as flores foram todas pisoteadas sobre os carpetes. Eles baniram o Floyd de tocar lá novamente.

Após um período de sumiço, Barrett retornou em 1970 com dois álbuns, “The Madcap Laughs” e “Barrett”, com considerável apoio de seus ex-parceiros (em especial David Gilmour, seu substituto, que também produziu). Alguns membros do Soft Machine também colaboraram, o que deu um toque de música acústica inacabada. Seu excêntrico senso de humor, inventivo jogo de palavras e melodias cativantes vão do brilhante ao caótico. Suas canções podem não ter o vigor de seus tempos de Floyd, mas até hoje mantêm o fascínio e dão um vislumbre de uma mente criativa que tomou rumo errado após (teoricamente) ter experimentado muita fama e drogas tão cedo na carreira.

Com problemas psicológicos cada vez maiores, Barrett caiu numa reclusão quase que total após esses álbuns. Embora tenham chamado pouca atenção, seus trabalhos são admirados por fãs ardorosos e sua música e mística ainda influenciam muita gente após mais de trinta anos.

A admiração por Barrett era tão latente que em 1980 foi lançado um álbum completo, “Opel”, com músicas inéditas e versões alternativas, assim como sessões para a BBC.

From
Pink Floyd - Early Years by Miles